ArtigosTransporteCarro elétrico é mais resistente às enchentes e não dá choque

março 2, 2020
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Modelos movidos a eletricidade têm módulos eletrônicos e bateria selados para impedir a entrada de água

Fonte: Revista Auto Esporte

CARRO ELÉTRICO ATÉ LEVA VANTAGEM AO ATRAVESSAR ALAGAMENTOS (FOTO: LOVRO RUMIHA)

Durante as fortes chuvas no Rio de Janeiro, Belo Horizonte, São Paulo e outras grandes cidades do país, muitos motoristas não esperavam que a água subisse tão rápido e acabaram perdendo seus carros, seja circulando, parados nas ruas ou em garagens e estacionamentos subterrâneos que foram inundados.

Já demos dicas de como proceder caso o motorista esteja dirigindo em condições de temporal, mas e se o carro for elétrico? As recomendações são as mesmas? Há risco de curtos-circuitos, explosões ou de choques nos ocupantes?

Segundo Ricardo Takahira, da Comissão Técnica de Veículos Elétricos e Híbridos da SAE Brasil, o medo associado à combinação de água e eletricidade, algo que escutamos desde criança, não procede quando falamos de carros elétricos.

MOTOR ELÉTRICO É TOTALMENTE SELADO (FOTO: GUSTAVO MAFFEI E MARCOS CAMARGO)

“Esses veículos têm sistemas complexos de proteção, um conteúdo tecnológico muito maior. Não faria sentido os fabricantes de automóveis sacrificarem a segurança dos passageiros apenas para oferecer uma nova tecnologia de propulsão”, afirma.

Muitas das precauções devem ser as mesmas feitas para carros a combustão, mas os elétricos até levam vantagens em alguns casos. Os conectores e a bateria ficam em invólucros selados, projetados para que não haja contato com a água, portanto, o risco de estrago é menor.

Por exemplo, em uma travessia de área alagada, o modelo a combustão precisa entrar com uma marcha mais forte engatada, normalmente a segunda, e manter o giro do motor alto e a velocidade constante para que a água não entre pelo escapamento – esse não é um problema para os carros elétricos, que não têm escapamento.

Mas para ambos, o ideal é que a água não ultrapasse muito a metade da roda, já que se o nível subir muito pode haver perda de contato com o solo e o carro começar a boiar. Até nessa hora os elétricos levam vantagem. Como são mais pesados por conta da bateria, é preciso de mais força para tirá-los do chão. Ou seja, um elétrico tem menos chance de sair “navegando” por aí.

COMPONENTES ELETRÔNICOS BÃO ENTRAM EM CONTATO COM A ÁGUA (FOTO: DIVULGAÇÃO)

Takahira explica que existem vários módulos eletrônicos que detectam a fuga da corrente elétrica caso o sistema de vedação esteja comprometido, ou seja, se houver desgaste das borrachas – algo que ocorre normalmente com o passar do tempo – a ponto de permitir que a água entre em contato com os componentes.

“Isso pode até causar um curto-circuito, mas não será sentido pelos ocupantes do veículo. Por projeto, os módulos e o motor têm um índice de proteção com pressão positiva, de onde só sai ar, e não entra ar ou água. Portanto se houver algum risco, o circuito desarma os polos da bateria e o carro para de funcionar.”

Caso o carro não tenha problemas de vedação dos componentes eletrônicos, a chance de recuperação de um veículo elétrico que ficou submerso até a altura do assoalho é até maior que a de um automóvel a combustão. É preciso levar modelo a um mecânico para secar terminais e eventualmente trocar borrachas, mas não há risco de fundir o motor, por exemplo.

A chance de recuperação diminui caso a água tenha entrado na cabine, uma vez que os módulos, fusíveis e relês internos não recebem a mesma proteção e selagem que os componentes do motor e bateria.

EM CASO DE CHUVA, NÃO DESCONECTE O PLUGUE DO CARRO (FOTO: DIVULGAÇÃO)

Para os carros híbridos, as recomendações são as mesmas de um carro a combustão, já que ele tem esse tipo de motor combinado a um elétrico. Ou seja, os riscos não mudam.

Apenas os híbridos plug-in (e os elétricos, claro, por terem carregamento externo) merecem uma dose extra de cuidado. O plugue em si não é energizado, a recarga só inicia depois que uma série de requisitos são preenchidos. Mas, se você estiver em um eletroposto carregando o carro e começar uma chuva forte, não tente tirar o plugue do carro: “a água é condutora de energia e seu corpo pode receber uma descarga elétrica”, explica o engenheiro. Esse é o único risco real.

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